segunda-feira, novembro 27, 2006

Post para uma Amiga.


Soube-o, sabemo-lo: was bleibt aber / stiften die Dichter. ( Holderlin ). Se alguma coisa fica. Nos dias, nestes dias e tempos de dissolução. De fragmentação, já na periferia de Sartre. Mais do que Sisifo ou o homem revoltado, o Estrangeiro. " Cela ne veut rien dire ", escreveu-o Camus e sentia-o Kafka, caminhando ao longo do Muro da Fome. Praga como estas ruas, a chuva como a neve. O cansaço. O cansaço, apenas. A fadiga que nos obriga a gritar, um porque sim sem sentido e que se torna urgente. Abgrund ( heideggeriano ) feito derradeiro espaço de liberdade. Esquecido de tudo e tudo querer esquecer. Submerso. No corpo, também ele, fragmentado. Não há flores por entre o remover das ruínas. Das canções restam memórias. Saudades, só do que fui, vou sendo, na aprendizagem crescente da Maldade humana. De optimista a céptico, um passo, pessimista, depois. Será isso envelhecer, com Sabedoria, e preparar a Morte. O amor confunde-se com o desespero, como água, delírio, júbilo face ao tumulto da nudez. Pouco sobra na brevíssima vertigem de uma claridade de Luz. Já não há mais à la recherche de um blogue perdido. Sobro eu, sobram momentos. Sobras tu. Sobram aqueles de quem gostamos, os que amamos, os que conhecem as cumplicidades da Amizade. Isso basta.