domingo, novembro 12, 2006


O Santo é aquele que faz a experiência da ferocidade. Do inumano. Interior intimo meo. Aquele que faz dos dias furor e cólera.

A partir de Freud conhecemos o conceito de cenas primitivas. Nelas assentou a Europa, durante séculos: cólera e experiência, ambas a remeterem para o topos homérico.

A degradação, depois. Viver deveria ser uma morte pois ela, a morte, é também uma vida. A vida. ( Dizia-o Holderlin ). Nisso se suportaria a Literatura, como o resto. A agonia daquela, hoje, mais não é do que a agonia da Europa. Dolorosa e patética. Em martírio. Longe vão os dias em que " branco era o instante ". ( Holderlin, ainda ).

Devoramos a besta e nada mais resta que o banal género humano. Plutarco: les bêtes ont de la raison. Resta a arte, simplório artificialismo de sobrevivência. Ou a cultura, passatempo de animais insignificantes, como escreveu Freud. O homem, o homenzinho do quotidiano, devorou a besta. Não sobrará nada. Apenas devastação e a mediocridade triunfante. Obscuras ruínas onde cambaleiam, sem sentido, ratos de esgoto a copular, entre hedonismo e consumo, algures entre a imbecilidade e a neurose obsessiva. Saudades de Calígula.

Splendour on splendour (...) Falleth, Adonis falleth. (...) Swollen-eyed, rested, lids sinking, darkness unconscious. Ezra Pound.

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